Venham experimentar uma atividade do nosso livro para estimular a capacidade atencional dos cérebros das vossas crianças!

É de coração cheio que vimos por este meio apresentar uma ferramenta de trabalho que estimulará a capacidade atencional das crianças dos 2 aos 6 anos de idade. A proposta dos quase 100 exercícios do livro foi construída com a premissa de aumentar cinco tipos de atenção:

- Atenção focada: É o tipo mais elementar da atenção e diz respeito à capacidade para dar resposta de um modo diferenciado a estímulos sensoriais específicos (Portellano, 2005). 

Exemplo: Dirigir o olhar para uma criança que de repente cai

- Atenção concentrada: Envolve a capacidade de manter a atenção ao longo do tempo, isto é, é a habilidade de sustentar uma resposta comportamental consistente durante uma atividade contínua. Esta habilidade é importante para o processamento de informações e refere-se a dois aspetos do desempenho intimamente relacionados: quantidade de tempo (durante o qual um desempenho pode ser mantido) e a consistência do desempenho durante esse período (Duchesne & Mattos, 1997 cit. por Abrsiqueta-Gomez & Dos Santos, 2006). Leva o indivíduo a orientar intencionalmente o seu interesse para uma ou várias fontes de informação e a manter esse interesse por um longo período de tempo. 

Exemplo: Estudar.

- Atenção seletiva: É a capacidade de responder de modo discreto a estímulos específicos, isto é, de se focalizar em estímulos relevantes, na presença de estímulos distratores e selecionar a informação para o processamento consciente, através de monitorização de muitos canais de informação (Duchesne & Mattos, 1997 cit. por Abrsiqueta-Gomez & Dos Santos, 2006). É um filtro através dos quais as informações devem ser selecionadas uma a uma, para serem realmente percecionadas.

Exemplo: Escrever um texto ou fazer os trabalhos de casa, enquanto a televisão está ligada, e prestar atenção apenas à tarefa em causa e não ao estímulo distrator (a televisão).


Exemplo: Um aluno que está a ouvir o professor e está a tirar apontamentos, alterna a sua atenção entre os dois estímulos (o professor e os apontamentos). 

Exemplo: Preparar um bolo, enquanto fala simultaneamente com o seu filho 

Apresentamos a descrição da atividade "Arco-íris" que pode ser aplicado em crianças dos 4 anos e 6 meses até aos 6 anos de idade, experimentem!


Atividade "Arco-íris" (4 anos e 6 meses aos 6 anos de idade)

Objetivo Geral: Estimular a capacidade de atenção concentrada e a capacidade de observação da criança.

Aplicação: Individual ou em grupo.

Material:

  • Lápis de cor (vermelho, azul, verde e amarelo);
  • Folha de resposta da atividade nº1 (ficha nº1) disponível no final do texto
  • Recursos audiovisuais: Videoprojetor/computador

Desenvolvimento do exercício:

A atividade "O Arco-íris" pretende estimular a capacidade de atenção concentrada e de observação dos participantes. Para isso, numa primeira fase, as crianças têm de observar vários estímulos, cada um deles com uma cor específica e, de seguida, têm de colorir os estímulos apresentados a preto e branco na folha de resposta da atividade com as cores correspondentes, visualizadas nos exemplos.

  • Pré-requisitos:

As crianças têm de ter um conhecimento prévio acerca das cores e devem ser capazes de as identificar e distinguir.

  • Instruções:

(Exemplo e ficha nº1)

"Meninos agora vamos jogar ao jogo "O arco-íris". Neste jogo, vamos encontrar uma pauta musical, vocês sabem o que é uma pauta musical? É o sítio onde as notas musicais vivem, para todas juntas fazerem música. Existem várias notas e todas elas têm uma cor neste jogo. Sabem é que elas se não tiverem cor, não tocam. Então o que nós temos de fazer neste jogo é olhar com muita atenção para as cores das notas, para depois as pintarmos com as cores certas, para elas ficarem felizes e tocarem músicas lindas. Pode ser?"

(O(a) técnico(a) deve projetar o material auxiliar que se encontra disponível no final do texto.

"Vamos olhar agora para aqui (apontar para as notas musicas pintadas do exemplo projetado). De que cor estão pintadas estas nossas amigas notas? Muito bem, estão pintadas de azul, vermelho, verde e amarelo. Mas agora, de que cor é a nossa amiga nota que tem só duas pernas? (indicar apontando) Azul. E a que tem só uma perna e uma cauda? (indicar apontando) Verde. E a que tem só mesmo uma perna? (indicar apontando) Amarela. E a que tem uma grande barriga? (indicar apontando) Vermelho. Muito bem.

Agora vamos olhar para estas notas (apontar para as notas do exemplo que se encontram a preto e branco). As pobrezinhas não conseguem tocar assim, porque estão sem cor, tristes. O que nós temos de fazer é pinta-las com a cor certa, porque se nos enganarmos, as nossas amigas notas, irão continuar sem tocar. Vamos então dizer, com que cores é que íamos pintar estas nossas amigas.

A primeira nota só tem uma perna, então temos de a pintar de... amarelo... A seguinte tem uma perna e uma cauda, então temos de a pintar de... verde... Depois vem a nossa amiga nota com duas pernas, então temos de a pintar de... azul...Agora é a vez da nossa amiga nota que tem uma grande barriga, e essa temos de a pintar de...vermelho...depois temos a nota com uma perna e uma cauda, então temos de a pintar de... verde...Por último temos novamente a nota com uma só perna, então temos de a pintar de... amarelo..,Muito em, vocês conseguiram pôr as nossas amigas notas todas coloridas, prontas para tocarem uma música.

Agora vou distribuir uma folha cheia das nossas amigas notas musicais. (Distribuir a ficha nº1 pelas crianças)

Estão a ver aqui as notas coloridas? E as notas sem cor? Vocês têm de olhar com muita atenção para as nossas amigas notas, e têm de pintar as notas sem cor, com as cores que elas estão pintadas em cima. Têm de olhar com atenção para as pintarem com a cor certa. Lembrem-se, a nota de duas pernas é de azul, a nota com a barriga grande é de vermelho, a nota com uma perna e uma cauda é de verde, e a nota só com uma perna é de amarelo. Todos perceberam? (Verificar se as crianças entenderam o exercício). Então podem começar!

Felizes exercícios!

Bibliografia:

Abrsiqueta-Gomez, J. & Dos Santos, F. (2006). Reabilitação neuropsicológica: da Teoria à Prática. São Paulo: Artes Médicas.

Portellano, J. (2005). Introducción a la neuropsicologia. Madrid: McGraw-Hill.